quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA – RESUMO COM APLICAÇÕES NO SECRETARIADO EXECUTIVO

 


POR: ACIMARLEIA FREITAS


Você já parou para pensar como a forma como nos comunicamos pode transformar (ou comprometer) relações profissionais?

No livro Comunicação Não Violenta (CNV), Marshall Rosenberg apresenta uma metodologia que vai além das palavras: trata-se de uma maneira de criar conexões genuínas, baseadas em empatia, respeito e colaboração.

Neste artigo, trago um resumo capítulo a capítulo da obra, sempre fazendo um paralelo com o universo do Secretariado Executivo — profissão que tem, na comunicação, uma das suas competências centrais

Capítulo 1 – Dar de coração

Resumo:
Rosenberg apresenta o conceito central da Comunicação Não Violenta (CNV): estabelecer conexões autênticas que incentivem a compaixão e a cooperação. Ele destaca que a comunicação deve ter como objetivo a qualidade da relação, e não a imposição.

Aplicação no secretariado executivo:

O/a secretário(a) atua como ponte entre diferentes pessoas da organização. Comunicar-se de forma empática favorece relacionamentos de confiança com gestores, equipes e parceiros externos.

Exemplo prático:

Ao receber uma solicitação urgente de um gestor, em vez de apenas repassar a pressão para outro setor, o profissional pode ouvir, reformular a demanda com clareza e transmitir ao setor responsável sem tom de cobrança, valorizando o trabalho da equipe.


Capítulo 2 – Comunicação que bloqueia a compaixão

Resumo:
O autor discute padrões de linguagem que dificultam conexões empáticas, como julgamentos, comparações, rótulos e negação de responsabilidade. Essas formas bloqueiam o diálogo genuíno.

Aplicação no secretariado executivo:

Evitar julgamentos ou frases que soem acusatórias ajuda a manter um ambiente colaborativo, especialmente em situações de conflito ou retrabalho.

Exemplo prático:

 Em vez de dizer: “Você nunca entrega os relatórios no prazo”, o secretário pode reformular: “Percebi que os relatórios das últimas duas semanas chegaram após o prazo combinado. Isso impacta o fechamento das atas. Podemos pensar em uma forma de ajustar o processo?”

 

Capítulo 3 – Observar sem avaliar

Resumo:
A CNV orienta a separar observações objetivas de julgamentos subjetivos. Observar de forma clara reduz mal-entendidos e evita que a outra pessoa se sinta criticada.

Aplicação no secretariado executivo:

A prática da observação objetiva é essencial para elaborar atas, relatórios e comunicações institucionais, que devem registrar fatos sem interpretações pessoais.

Exemplo prático:

Durante uma reunião, em vez de registrar: “O setor financeiro atrasou o pagamento de novo”, o secretário escreve: “O setor financeiro informou que o pagamento previsto para o dia 10 foi realizado no dia 15”.

 

Capítulo 4 – Identificar e expressar sentimentos

Resumo:
O autor enfatiza a importância de reconhecer e comunicar sentimentos de maneira clara, em vez de mascará-los com críticas ou acusações.

Aplicação no secretariado executivo:

Reconhecer sentimentos ajuda a lidar com situações de estresse, pressões e demandas múltiplas sem transmitir hostilidade ou desgaste.

Exemplo prático:

Ao receber múltiplas tarefas urgentes, o secretário pode dizer ao gestor: “Estou me sentindo sobrecarregado com as demandas simultâneas. Podemos definir prioridades para atender melhor às suas expectativas?”

 

Capítulo 5 – Assumir a responsabilidade pelos próprios sentimentos

Resumo:
Rosenberg destaca que ninguém é responsável direto pelos sentimentos de outra pessoa; eles resultam das necessidades satisfeitas ou não satisfeitas.

Aplicação no secretariado executivo:

Assumir responsabilidade pelas próprias emoções evita conflitos e favorece maturidade na comunicação.

Exemplo prático:

Em vez de: “Você me deixou nervoso com esse pedido de última hora”, o secretário pode reformular: “Fico nervoso quando recebo pedidos de última hora, porque tenho necessidade de organizar o fluxo de trabalho. Como podemos evitar isso?”

 

Capítulo 6 – Pedidos que enriquecem a vida

Resumo:
O autor ensina a transformar exigências em pedidos claros, específicos e realizáveis, aumentando a chance de cooperação.

Aplicação no secretariado executivo:

A clareza nos pedidos facilita o trabalho em equipe e previne retrabalho.

Exemplo prático:

Em vez de: “Preciso que você faça isso rápido”, o secretário pode dizer: “Preciso que este documento esteja revisado até amanhã às 10h para que seja encaminhado ao reitor ainda pela manhã”.

 

Capítulo 7 – Recebendo com empatia

Resumo:
A CNV propõe ouvir com empatia, acolhendo os sentimentos e necessidades por trás das palavras do outro, mesmo em críticas.

Aplicação no secretariado executivo:

Receber críticas ou reclamações de forma empática fortalece a imagem profissional e mantém o clima organizacional equilibrado.

Exemplo prático:

Se alguém disser: “Esse setor nunca ajuda quando precisamos”, o secretário pode responder: “Entendo que você esteja frustrado. Você gostaria de ter um retorno mais ágil da nossa equipe?”

 

Capítulo 8 – O poder da empatia

Resumo:
Rosenberg mostra que a empatia cria conexão e confiança, e que ouvir é muitas vezes mais transformador do que dar conselhos ou soluções imediatas.

Aplicação no secretariado executivo:

Praticar a escuta empática ajuda a compreender gestores e equipes antes de agir, evitando ruídos na comunicação.

Exemplo prático:

Durante um conflito entre setores, o secretário pode ouvir cada parte sem interromper, demonstrando compreensão antes de propor soluções.

 

Capítulo 9 – Conectar-se consigo mesmo com compaixão

Resumo:
O autor ressalta a importância do autoconhecimento e do autocuidado na prática da CNV. Reconhecer as próprias necessidades ajuda a não projetar frustrações nos outros.

Aplicação no secretariado executivo:

Cuidar da própria saúde emocional permite lidar melhor com pressões típicas da profissão.

Exemplo prático:

Um secretário que percebe estar esgotado pode negociar prazos ou propor apoio em tarefas, em vez de acumular responsabilidades até gerar desgaste.

 

Capítulo 10 – Expressar plenamente a raiva

Resumo:

A CNV não reprime a raiva, mas ensina a expressá-la de forma consciente, identificando a necessidade não atendida por trás do sentimento.

Aplicação no secretariado executivo:

Em ambientes corporativos, lidar com a raiva de forma construtiva preserva relacionamentos e credibilidade profissional.

Exemplo prático:

Em vez de levantar a voz quando um prazo é desrespeitado, o secretário pode dizer: “Fiquei irritado porque esse atraso prejudica o cronograma. Podemos rever juntos uma forma de evitar isso no futuro?”

 

Capítulo 11 – Resolução de conflitos

Resumo:
A CNV pode ser aplicada na mediação de conflitos, ajudando as partes a expressarem necessidades e a buscarem soluções que atendam a todos.

Aplicação no secretariado executivo:

O/a secretário(a) muitas vezes atua como mediador em divergências entre setores ou na organização de reuniões decisivas.

Exemplo prático:

Em uma disputa sobre uso de orçamento, o secretário pode facilitar a conversa perguntando: “Quais são as necessidades principais de cada setor nesse momento?” e registrar consensos.

 

Capítulo 12 – O papel da CNV nas estruturas sociais

Resumo:
O autor amplia a aplicação da CNV para contextos sociais, educacionais e organizacionais, mostrando como pode transformar relações de poder e cultura institucional.

Aplicação no secretariado executivo:

Na função estratégica, o profissional pode aplicar a CNV para melhorar a cultura organizacional, propondo práticas de comunicação mais colaborativas.

Exemplo prático:

Implantar um manual de comunicação interna ou oficinas de CNV para equipes administrativas, reduzindo ruídos e fortalecendo relações no ambiente de trabalho.

 

Capítulo 13 – A CNV no mundo

Resumo:
Rosenberg apresenta experiências internacionais de uso da CNV, mostrando seu potencial de transformar sociedades e ambientes de conflito.

Aplicação no secretariado executivo:

A profissão, por estar em contato com diferentes culturas e contextos organizacionais, pode adotar a CNV como ferramenta de integração e diversidade.

Exemplo prático:

Ao receber delegações estrangeiras, o secretário pode usar CNV para lidar com diferenças culturais, focando em necessidades e não em julgamentos.

 

Conclusão geral:

O livro mostra que a CNV é mais do que uma técnica — é uma filosofia de vida. Para o secretariado executivo, representa um diferencial estratégico: melhora relacionamentos, aumenta a produtividade, fortalece a imagem profissional e contribui para um ambiente organizacional mais humano.