quinta-feira, 20 de novembro de 2014

‘NÃO TIVE TEMPO’, ‘ESSA TAREFA NÃO É MINHA’ E OUTRAS FRASES QUE É MELHOR EVITAR NA EMPRESA




Tudo que dizemos no trabalho é levado em conta. Seja na hora de compartilhar uma ideia durante uma reunião ou ao ajudar um colega em um projeto, o que falamos pode ter uma impressão — boa ou má — que vai acabar nos marcando. De acordo com a especialista em carreira e recrutamento, Heather R. Huhman, a maneira como comunicamos uma atitude, ideias e opiniões no local de trabalho podem influenciar a carreira.

“Seus colegas de trabalho e gestores estão atentos ao que você diz, o tempo todo. Por isso, é muito importante sempre pensar antes de abrir a boca”, afirma a especialista em artigo publicado no site Parade.com.

Para evitar escorregões na hora de se comunicar e acabar se prejudicando, há algumas frases que devem ser evitadas a todo custo. Confira a lista preparada por Heather:

“Terminei meu projeto. O que faço agora?” Embora, por um lado, seja ótimo ir atrás de novas tarefas e desafios depois de ter dado conta de sua lista de coisas a fazer, a pessoa deve ter a capacidade de descobrir o que fazer sem que seu gestor tenha que lhe atribuir um novo trabalho. Os empregadores valorizam os funcionários pró-ativos, capazes de encontrar outros projetos para trabalhar quando estiverem desocupados. Na próxima vez que encontrar um tempo livre, não hesite em iniciar outro projeto ou ajudar um colega a concluir uma tarefa.

“Estou entediado.” Tédio é uma palavra que você deve evitar dizer no trabalho. Quando você expressa o seu tédio no local de trabalho, isso mostra que você não está engajada. Caso se sinta assim, busque ser pró-ativo e corra atrás de novos desafios. Explique a seu chefe que precisa de mais projetos e novas experiências para manter-se envolvido no trabalho.

“Virei a noite para terminar este projeto.” Embora você possa se sentir realizado após virar a noite terminando um projeto, é improvável que seu chefe fique impressionado com isso. Os empregadores querem funcionários capazes de completar o seu trabalho sem ter que sobrecarregar seu tempo ou suas habilidades. Se você quer impressionar seu gestor, descubra novas maneiras de se tornar mais eficiente no trabalho.

“Essa tarefa não é minha.” Só porque uma tarefa não está descrita no seu contrato de trabalho não significa que você não pode ou não deve executá-la. A próxima vez que seu chefe ou colega de trabalho lhe pedir ajuda em um projeto, mantenha a mente aberta para aprender a executar uma nova tarefa.

“Fulano estava à frente desse projeto, não eu.” Quando você não assume a responsabilidade por suas ações no trabalho, acaba criando um abismo com seus colegas e chefe. Empregadores esperam que seus funcionários prestem contas de seu trabalho e sejam honestos quando algo dá errado. Nunca coloque a culpa em alguém quando não cumprir um prazo ou esquecer um detalhe importante.

“Não dá pra fazer.” “Não é possível” é uma frase que deve ser banida do vocabulário de qualquer profissional. Se não sabe como fazer algo, tome a iniciativa de aprender a nova habilidade ou peça ajuda.

“Não tive tempo.” Na maioria dos casos, esta afirmação é uma mentira. Ao mesmo tempo, que seu chefe tem conhecimento de sua agenda lotada e pesada carga de trabalho, você também deve saber que é sua a responsabilidade ser produtivo. Caso esteja correndo contra o tempo para dar conta de seus projetos, peça ao seu chefe para dar prioridade a suas tarefas. Isso o ajudará a ser mais organizado e focado em projetos mais importantes.

“Pensei ter lhe enviado um e-mail há uma semana.” Não importa que seja seu chefe, um colega de trabalho ou cliente, você deve ser a primeira pessoa a acompanhar suas mensagens. Se já passou alguns dias sem você ter notícia ou uma resposta da pessoa, envie outro e-mail ou dê um telefonema.

“Entendeu?” Em vez de perguntar a seu colega se ele entendeu o assunto que acabou de explicar, peça que ele faça um comentário. Um exemplo: “Você tem alguma dúvida ou algo que queira compartilhar?”. Isso dá ao colega a chance de expressar sua opinião.

“Você deveria...” Apontar o dedo ou colocar a culpa em seus colegas de trabalho é uma forma negativa de se comunicar. Em vez de dizer “Ei Beth, você deve me dizer quando está indo almoçar”, é melhor dizer: “Beth, por favor, me avise antes de sair para o almoço”.







quarta-feira, 19 de novembro de 2014

10 MANDAMENTOS PARA O SUCESSO NAS ENTREVISTAS



A consultoria PageGroup realizou uma pesquisa sobre o cotidiano das entrevistas de emprego e preparou dicas com o objetivo de desmistificar o que acontece em uma entrevista de emprego e auxiliar na preparação dos candidatos.

“Não importa a fase da carreira do candidato. A entrevista nunca deixará de existir e será sempre fundamental no processo de escolha. Por mais qualificado que seja o currículo, muitos candidatos tropeçam nas entrevistas por falta de preparo”, afirma Sergio Sabino, diretor de marketing do Page Group para a América Latina.

Confira aos 10 mandamentos para se obter sucesso em uma entrevista de emprego, trazidos pelo levantamento da consultoria. As dicas são divididas em 3 partes: antes, durante e depois da entrevista. Confira:

Antes da entrevista

1. Pesquise: descubra o maior número de informações  sobre o seu provável empregador antecipadamente. O website da empresa deve ser seu ponto de partida.  Familiarize-se com sua missão, desempenho passado, objetivos futuros e atuais avaliações dos analistas. Converse com algum conhecido que trabalhou na organização.

2. Familiarize-se com seu CV e esteja preparado para responder perguntas sobre ele. Ao mesmo tempo, certifique-se que você tenha lido a descrição da vaga cuidadosamente e pense em como sua experiência beneficiaria seu empregador em potencial.

3. Prepare seu kit de entrevistas: certificados, referências, cópia do anúncio e uma lista de questões, como:

• Quais serão as minhas responsabilidades?
• Qual foi o motivo da abertura da vaga?
• Como minha performance será avaliada?
• De que forma a função se encaixa na estrutura  do departamento?
• Que incentivo é dado para treinamentos adicionais?
• Quem são seus clientes?
• Qual o rumo da empresa? Quais os planos de crescimento?
• Qual é o próximo passo?

4. Prepare-se antecipadamente para questões comuns, tais como:

• Fale-me a seu respeito.
• Quais foram suas conquistas até agora?
• Você está satisfeito com sua carreira até agora?
• Fale-me sobre a situação mais difícil que você  já enfrentou e como lidou com ela.
• Do que você não gosta na sua função atual?
• Quais são seus pontos fortes / fracos?
• Que tipo de decisão você acha mais difícil tomar?
• Por que você quer deixar seu empregador atual?

Durante a entrevista:

5. Boa linguagem corporal. Cumprimente seu entrevistador em pé, com um firme e forte aperto de mão e um sorriso. Sente-se ereto, com os dois pés no chão. Fale de maneira clara e confiante. Procure manter um nível confortável de contato visual durante a entrevista.

6. Uma entrevista padrão geralmente começa com um bate-papo introdutório, passando para questões específicas, de sua aplicação até sua experiência. Informações gerais sobre a empresa e a função podem vir em seguida. No final, há um espaço para a realização de perguntas.

7. Ouça o que está sendo perguntado. Pense sobre suas respostas para as perguntas mais difíceis e não dê detalhes irrelevantes. Dê exemplos positivos de sua experiência até o momento, mas seja conciso. Contudo, evite dar respostas muito curtas, com uma única palavra.

8. Esteja preparado para fazer perguntas que já tenha elaborado de antemão. Isso demonstra que você refletiu sobre a função e pesquisou sobre a organização. Certifique-se que sejam questões abertas. Isso encoraja o entrevistador a fornecer informações adicionais.

9. Mostre seu entusiasmo pela função, mesmo que você tenha algumas reservas. Estas podem ser discutidas em uma etapa posterior.

Depois da entrevista:

10. Escreva um breve resumo da entrevista enquanto ela ainda está fresca em sua mente. Anote as áreas em que você sentiu que foi bem, assim como quaisquer questões difíceis de responder. Busque conselhos para dar um feedback construtivo ao consultor em todas as fases do processo de recrutamento. Contate seu consultor e dê um feedback. Ele precisa conhecer seus pontos de vista sobre a entrevista e a função antes de contatar o empregador.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

FRASES INSPIRACIONAIS PARA REPENSAR SUA VIDA PROFISSIONAL




Segunda-feira de manhã, basta dar uma corrida de olho na time line de suas redes sociais para ver inúmeras fotos e frases que tem por objetivo inspirar e motivar, mas será que elas realmente são capazes de provocar a mudança necessária?

Eu mesma, sou daquelas que volta e meia coloca uma frase que achou bacana em diversos meios digitais, para mim, vale até assinatura de e-mail.

O que me levou a escrever este artigo, não foram as frases “inspiracionais” em si, mas seu significado mais amplo ou seja, a lição embutida que cada uma pode trazer, contribuindo assim para o crescimento pessoal e profissional.

Chamo de frases inspiracionais porque como psicóloga, acredito que a motivação seja algo que necessita de uma compreensão mais profunda, com análises de fatores internos e externos, já a inspiração por sua vez é o primeiro passo que promove ou como sua derivação mesmo sugere, inspira a ação.

Para isto, reuni 10 frases que de alguma forma transmitem uma mensagem mais profunda do que suas breves linhas podem abarcar.
Tomei o cuidado de interpretar livremente pois, a mim era o que parecia significar. Fique à vontade para dar a elas o sentido que lhe cabe, aposto que por trás destas palavras, você poderá encontrar aquilo que lhe seja necessário para o momento em que está vivendo.

1 - Nem sempre os mais talentosos se destacam: São os persistentes que se sobressaem – Mary Kay Ash

Conheço talentosos fantásticos, mas que perderam muitas oportunidades, justamente por não persistir e acreditar que poderiam vencer com seu talento. Ao passo que do mesmo modo, conheci pessoas não tão talentosas que acabaram se destacando em áreas onde hoje são referencias porque persistiram e foram se aperfeiçoando com o passar do tempo. Não estou falando em mediocridade, nem do tão conhecido “Q.I” (Quem indica), falo de persistência, aquela que anda de mãos dadas com a vontade de ir além. Se você tiver talento e aliar isso à persistência, terá nas mãos uma formula poderosa para o sucesso, basta apenas ir em frente, mas isso é conversa para a frase abaixo.

2 - Planos não passam de boas intenções, a menos que se transformem imediatamente em trabalho duro – Peter Drucker

E quem ousaria discordar de Drucker? Eu não! De nada adianta ficar sonhando e planejando, se você não arregaça as mangas e se põe a trabalhar duro para realizar o que quer. Veja bem, trabalhar duro não significa se matar de trabalhar, longe disso. Trabalhar duro está muito ligado a visão estratégica, persistência e alinhamento para se chegar ao resultado que deseja.

3 - Se não arriscar nada, seu risco é ainda maior – Erica Jong

Quem nunca teve medo, que atire a primeira angústia... É óbvio que em diversos momentos da vida temos medo de arriscar, no entanto estagnar pode ser ainda pior. Pare e reflita sobre os melhores momentos de sua vida, na certa em muitos deles, você estava arriscando alguma coisa, para isto, completo também com uma frase que ouvi quando adolescente, da qual não me recordo a autoria: Quem tem medo de perder, nunca ganha – Pense nisso.

4 - Não conheço o segredo do sucesso, mas o segredo do fracasso é tentar agradar todo mundo – Bill Cosby

Tentar agradar a todos também é de certa forma deixar de arriscar. Quando você tenta fazer com que todos gostem de você, acaba deixando de expressar toda sua potencialidade e isto pode ser um risco quando se trata de vencer na vida. Pare e pense nas pessoas que mais te inspiram, na certa todas elas de alguma forma deixaram de se importar com o que os outros pensavam.

5 - Deixe que o mundo conheça quem você é, não como pensa que deveria ser. Se você usa um disfarce, cedo ou tarde vai esquecê-lo e aí não saberá mais quem é – Fanny Brice

De alguma forma esta frase também me remete a outra frase, esta por sua vez, de Nietzsche que diz: “Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”. Pergunte a si mesmo, eu tenho sido a pessoa que gostaria? Tenho agido de acordo com a minha essência e com aquilo que acredito ou vivo disfarçado tentando ser algo que não sou? Imagine-se encontrando com você mesmo aos 10 anos de idade. Será que esta criança iria se orgulhar da pessoa que se tornou?

6 - Grandes realizações não são feitas pela força, mas pela perseverança – Samuel Johnson

Mais uma vez, a perseverança se mostrando essencial para alcançar resultados. O segredo é não parar, seguir adiante e focar naquilo que você planejou para si mesmo. Há um tempo atrás, como boa workaholic, achava que não parar significava entrar em uma rotina frenética de fazer, fazer e fazer. Aos 30 anos, foi preciso um principio de AVC para que eu pudesse compreender que perseverança não é isso, mas principalmente ser estratégico e seletivo em suas escolhas – Estes sim, são elementos fundamentais que compõem a perseverança.

7 - O primeiro passo para conseguir o que deseja na vida é: Decida o que você quer – Ben Stein

Aqui, voltamos a falar de estratégia. E mais uma frase me vem à cabeça, aposto que você também já deve tê-la ouvido por aí: “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”, do filme Alice no País das Maravilhas. O fato é que se você não pensar e acima de tudo decidir o que quer, dificilmente alcançará grandes conquistas, simples assim. Parece fácil, mas ainda existe muita gente que deseja abraçar o mundo e acaba por conseguir um pouco de tudo e muito de nada, pois são conquistas efêmeras e passageiras que não realizam e ainda trazem uma sensação de frustração cada vez mais constante. Se eu pudesse resumir esta frase em apenas duas palavra, eu diria sem sombra de dúvidas: tenha foco!

8 - Lute para conquistar aquilo que você gosta ou será forçado a gostar daquilo que conquista – George Bernard Shaw

Mais uma vez, falamos de escolhas. Faça esta pergunta a si mesmo: Por que devo me contentar com resultados que não quero? Uma vida vazia, um emprego medíocre, relacionamentos rasos, será que vale a pena viver uma vida desse jeito? Coragem! O mundo é muito mais do que coexistir, trata-se muito mais de viver! Aproveite e lute para conquistar aquilo que você realmente gosta.

9 - O seu tempo é limitado, então não desperdice vivendo a vida de outra pessoa – Steve Jobs

Os maiores arrependimentos de pessoas que se dão conta que o tempo passou depressa demais, foi de não ter vivido mais suas próprias vidas. A música Epitáfio do Titãs é outro belo exemplo disso. Pare de desperdiçar sua vida vivendo em função de outras pessoas. Permita-se ser um tanto egoísta de vez em quando. Ame-se mais, dedique-se mais a você mesmo e se tem dúvidas do que escrevo agora, acredite no que diz a bíblia: Ame ao próximo como a ti mesmo, ou seja, para amar aos outros antes é necessário descobrir seu amor próprio, caso contrário é apenas servidão sem propósito e um grande desperdício de tempo (leia-se vida!)

10 - Nada dará certo se você não der certo – Maya Angelou

Acredito que esta frase dispensa interpretações, mas aqui cabe a pergunta: Como anda sua fé em si mesmo? As vezes é bom olhar para dentro e acreditar mais naquilo que você é pois, não existe nada mais triste do que virar um fantasma de si mesmo, na busca por realizações que em nada te completam.

E por fim caro leitor, não poderia fechar este texto, sem te fazer duas últimas perguntas: Estas frases também lhe fazem o mesmo sentido? Existe ainda outras citações que despertam sua vontade de fazer a diferença? Compartilhe nos comentários, aposto que você também poderá inspirar muitas pessoas.








segunda-feira, 17 de novembro de 2014

DOS ESCRIBAS À INTERNET: UM POUCO DA HISTÓRIA DA PROFISSÃO DE SECRETÁRIO (PARTE VII)



AS COMPETÊNCIAS QUE FAZEM A DIFERENÇA


As opções de carreira dos profissionais que atuam nos escritórios estão se expandindo rapidamente como resultado da automação dos serviços administrativos. As inovações tecnológicas têm gerado mudanças na operacionalização de inúmeras atividades administrativas, bem como no gerenciamento da informação, possibilitando novas oportunidades de desenvolvimento profissional. Como consequência, passa-se a exigir do trabalhador cada vez mais profissionalismo. (Jaderstrom et al. 1997, p. 3).

Inúmeras organizações estão revolucionando seus ambientes de trabalho. É o que Junqueira (1996, p. 82) denomina de “ambientes revolucionários de trabalho, onde está havendo uma passagem de sistemas tayloristas para sistemas de gestão na base de equipes autogerenciadas.” Esta revolução tem como objetivo o aumento da eficiência e produtividade, competir com a concorrência internacional e atender aos clientes cada vez mais exigentes em termos de qualidade, preços e valores agregados para encantá-los.

O secretário executivo que sempre ocupou uma posição privilegiada junto aos executivos que tomam as decisões, pelo fato de ser detentor de informações sigilosas, também teve seu trabalho afetado pelo corte de pessoal motivado pela reestruturação das organizações. Passou a acumular tarefas, ganhou mais autonomia e mais executivos para gerenciar. Precisa ter uma preocupação com o todo empresarial, com a produtividade, com a qualidade, com o lucro. Agora, é visto como um produtor de lucros e resultados e administrador de informações. É, na verdade, um executivo adjunto.

Em seu papel atual de extensão do executivo, de acordo com a Proposta de Diretrizes Curriculares para os Cursos de Secretariado Executivo, elaborada pela Comissão de Especialistas de Administração do Ministério da Educação, um secretário executivo deve ter o seguinte perfil:

gestor; empreendedor; inovador; programador de soluções; iniciativa; criativo, dinâmico, polivalente; negociador; culto; participativo; conhecedor de tecnologia, comunicação e pesquisa; gestor do fluxo de informações, indispensável às decisões do executivo; conhecedor de gestão estratégica; discreto – conhecedor de cerimonial; administrador de conflitos; leitor de ambientes para fins de veiculação de mudanças na estrutura logística e nas relações interpessoais; competência interpessoal, grupal e organizacional [...].


A tecnologia de informação e de comunicação continuará a impulsionar as mudanças e isto provocará uma constante redefinição do papel do secretário executivo e dos profissionais de escritório, de forma geral. Para continuarem a fazer parte do time que administra, indiferentemente do título do cargo, as organizações exigirão novas competências, além da habitual competência técnica. As tarefas estão se tornando, gradativamente, mentais e mutáveis à medida que deixam de ser repetitivas e musculares.

Para Chiavenato (1996, p. 146), “os cargos estão deixando de ser individualizados e confinados socialmente para se tornarem socialmente interdependentes e com forte vinculação grupal”, privilegiando, assim, as relações interpessoais e o espírito de equipe. No entender de Medeiros e Hernandes (1995, p. 20), a competência de um secretário executivo deve ser avaliada “por sua habilidade em lidar com pessoas”, e não somente por sua capacidade em lidar com papéis e objetos materiais.

Diante deste contexto, as organizações começam a dar um sentido mais amplo e abrangente para a avaliação do desempenho de seus empregados, envolvendo novos aspectos, como competência pessoal, tecnológica, metodológica e social.

Os profissionais do secretariado, como todos os profissionais rumo ao século XXI, devem estar capacitados a aprender a aprender, saber pensar estrategicamente, responder criativamente a situações novas e inusitadas, agir pró-ativamente. O secretário executivo, para manter-se empregável, assumir e desempenhar as novas atribuições que lhe são delegadas, deve procurar desenvolver essas competências.

Muito se tem falado na extinção da profissão de secretário. Natalense (1998, p. 4) acha interessante que os comentários, muitas vezes, sejam “feitos por consultores e empresários, profissionais habituados a lidar com constantes mudanças organizacionais [...].” Em seu parecer, isto comprova a falta de informação que ainda existe sobre a profissão no Brasil. Uma falta de informação não só por parte de consultores e empresários, mas, principalmente, por inúmeros profissionais que não estão atentos às muitas mudanças no mercado de trabalho e não percebem o espaço que têm para desempenhar suas atividades. Assim, deixam de desenvolver as diferentes competências que as organizações procuram num profissional.

A palavra competência é aqui usada para designar as capacidades que possibilitam a um profissional exercer sua profissão com excelência e ser empregável, reconhecendo a sua função social no contexto em que está inserido.

O entendimento dessas novas competências está baseado na definição apresentada por Chiavenato (1996, p. 146) ao analisar as novas tendências em avaliação do desempenho humano nas organizações, quais sejam:

a)  Competência pessoal - principalmente, a capacidade de aprendizagem e absorção de novos e diferentes conhecimentos e habilidades.

b)  Competência tecnológica - principalmente, a capacidade de assimilação do conhecimento de diferentes técnicas necessárias ao desempenho da generalidade e da multifuncionalidade.

c)  Competência metodológica - principalmente, a capacidade de empreendimento e de iniciativa para resolução de problemas de diversas naturezas. Algo como espírito empreendedor e solucionador espontâneo de problemas.

d)  Competência social - principalmente, a capacidade de se relacionar eficazmente com diferentes pessoas e grupos, bem como desenvolver trabalhos em equipe.

 Reich (1994, p. 168), ao realizar estudos em torno do trabalho das nações, define o secretário executivo como executor de serviços simbólico-analíticos, classificando-o como “analista-simbólico”.  Classifica-o como pertencente às “categorias tradicionais”, quais sejam: gerência, secretaria e vendas, pelo fato dessas se sobreporem a mais de uma das categorias funcionais por ele apresentadas (serviços rotineiros de produção, serviços pessoais e serviços simbólico-analíticos).

Apenas algumas das pessoas que são classificadas como ‘secretárias’, por exemplo, executam estritamente tarefas rotineiras, como introduzir e recuperar dados em um computador. Outras ‘secretárias’  executam serviços pessoais, como marcar compromissos e servir café. Um terceiro grupo de ‘secretárias’ executam tarefas simbólico-analíticas estreitamente ligadas ao que fazem seus chefes. (Reich, 1994, p. 168.).

Na opinião de Reich (1994, p. 214), abstração, raciocínio sistêmico, experimentação e colaboração são as quatro aptidões básicas para um analista-simbólico estar preparado a atuar em organizações na identificação e resolução de problemas e promoção da venda de soluções para tais problemas.  Um analista-simbólico tem formação universitária, mas seu aprimoramento não termina com a formatura. Está continuamente se atualizando, enfrentando o desafio do aprender a aprender. “Portanto, inútil pensar numa educação formal com término estabelecido. Não bastam cursos de segundo e terceiro graus para exercer com competência a função de secretário, que exige aprimoramento permanente.” (Medeiros & Hernandes, 1995, p. 20).

O mercado absorverá, cada vez mais, profissionais bem preparados, com iniciativa, criatividade, visão global dos negócios, entusiastas, polivalentes. Cada vez mais, uma educação continuada será requerida para os profissionais  acompanharem a transição para um escritório eletrônico e, consequentemente, responder às demandas do mercado (Jaderstrom et al., 1997, p. 3).



Quais são as exigências ao se contratar um secretário executivo?

Nas palavras da SECRETÁRIA C, a gerência de Recursos Humanos da organização na qual trabalha faria as seguintes exigências se precisasse contratar um para a diretoria:

curso superior; inglês fluente; conhecimentos de informática; [...] visão holística, porque não poderia contratar uma pessoa que  não tivesse ideia do que é realmente uma empresa;  no mínimo dois anos de experiência; [...] ele disse que seria importante, na entrevista, a tonalidade da voz, postura, aparência. Também são importantes os modos, o jeito de se portar. Tudo isso faz parte. Felizmente ou infelizmente, a nossa função requer muito mais requisitos do que as outras. [...] Temos que nos vestir de uma forma adequada. Não podemos nos portar igual a uma pessoa que vai de minissaia [...]

A SECRETÁRIA B, também, ressaltou a importância da postura profissional, da discrição e sobriedade no modo de se vestir, do tom de voz ao tratar com as pessoas com quem trabalha e se relaciona no cotidiano. A prudência e a discrição são qualidades indispensáveis a um profissional do secretariado, pois evitam que se envolva e intervenha quando não deve fazê-lo. Conforme Faria (1986, p. 160), deve trabalhar com cautela para não cometer imprudências, pois uma imprudência pode levar a situações difíceis. Assim, ao ser discreto, conquista a confiança que merece, evitando fomentar a discórdia e o uso de tráfico de influências.

Geralmente um secretário executivo trabalha com pessoas importantes, que têm um nome dentro e fora da comunidade a zelar. E como tal é muito bajulado pelas pessoas com as quais tem contato frequente, pois cada uma tem interesses próprios a serem defendidos. Como elo entre essas pessoas e sua chefia, deve estar preparado para administrar essa situação.

A SECRETÁRIA A recorda que, como secretária, era sempre muito bajulada.

Recebíamos visita das agências A, B, e C querendo prestar serviços. A agência “A” mandava perfumes, a “B”  convidava para um jantar; a “C” mandava um presente; o banco tal oferecia cartão de crédito sem pagar a anuidade; o outro banco oferecia cheque especial à taxa de juros menores.


Em sua opinião, esta situação é muito comprometedora e perigosa e é preciso saber administrar isso, não se deixando levar por presentes e agrados típicos de pessoas que querem alcançar suas metas, não pela competência, mas bajulando quem está próximo à pessoa de decisão. Na opinião de Faria (1986, p. 160), o secretário executivo precisa ter personalidade para atuar corretamente, para sobressair sem se impor, defender seu ponto de vista sem agredir e admitir a mudança de opinião.

Enquanto estiver trabalhando numa determinada organização, o secretário executivo assume como sobrenome o nome da organização. “Se você, por exemplo, trabalhasse no banco, o seu sobrenome seria Tereza Banco Boston. Então, nós somos visados porque as pessoas sabem que a secretária é poderosa [risadas]. Eu acho secretária poderosa e esse poderoso, esse poder, ela tem que saber administrar e, às vezes, é fácil se deslumbrar.” (SECRETÁRIA A).

Daí a importância da ética profissional, que é o conjunto de princípios que regem a conduta dos seres humanos no exercício da profissão escolhida. De acordo com Medeiros e Hernandes (1995, p. 45), “a ética é utilizada para conceituar deveres e estabelecer regras de conduta do indivíduo, no desempenho de suas atividades profissionais e em seu relacionamento com clientes e demais pessoas.” A profissão de secretário também tem seu Código de Ética Profissional com o objetivo de fixar as normas de procedimentos dos profissionais quando no exercício de sua profissão. Foi publicado no Diário Oficial da União, em 7 de julho de 1989, e deveria ser do conhecimento dos profissionais que vão se candidatar a uma vaga de secretário.

A SECRETÁRIA C é de opinião que, daqui para a frente, as organizações começarão a contratar profissionais com “formação superior em secretariado. Não vão mais se formar, naturalmente, dentro das empresas. [...] Na minha época não havia o curso superior de secretariado e acabávamos aprendendo na prática.”

De acordo com a EQUIPE III, que teve uma componente visitando três organizações (EMPRESA A, EMPRESA B e EMPRESA C) localizadas em São Paulo, para levantar algumas informações sobre a realidade da profissão nesse mercado, os requisitos para a contratação de um secretário executivo são, basicamente, os seguintes: registro na Delegacia Regional do Trabalho (DRT); curso superior; fluência em inglês e espanhol; experiência mínima de 3 (três) anos; boa aparência; amplos conhecimentos em informática; liderança, confiabilidade; espírito de equipe.

Para a contratação de um secretário júnior ou de gerência, é exigido, preferencialmente, registro na Delegacia Regional do Trabalho (DRT); curso superior (cursando); bons conhecimentos em inglês e espanhol; experiência mínima de um ano; boa aparência; conhecimento nas rotinas do escritório; conhecimentos em informática; facilidade para se relacionar.

Em São Paulo, um secretário executivo só é admitido se tiver registro no DRT. Por “boa aparência” entende-se postura profissional, e não a aparência física. Medeiros e Hernandes (1995, p. 24) reforçam este entendimento quando afirmam que “os executivos preferem uma profissional que possa ser sua assistente a uma profissional que apenas procure tirar partido de sua apresentação impecável.”

A secretária executiva da EMPRESA A assessora totalmente a diretoria. Atua em todas as atividades e eventos culturais dentro da empresa, como seminários, workshops, convenção nacional de vendas. É responsável pelas atividades de relações públicas da empresa como um todo. Além disso, coordena e orienta o trabalho das outras secretárias da empresa. Não que seja chefe delas, apenas as orienta. Por isso, a exigência de liderança e confiabilidade, visto que orienta e interage com a equipe com quem trabalha. A EMPRESA A está investindo no ”material humano dentro da empresa, investindo em quem está lá, proporcionando a oportunidade de fazer cursos, seminários e atualização. Eles dão muito, muito valor a quem não para no tempo.”(EQUIPE III).

Ao visitar a EMPRESA B, também teve a oportunidade de conversar com a secretária executiva, que é formada em secretariado executivo e trabalha junto à diretoria há muitos anos. “Ela tem um alto grau de confiabilidade pela diretoria. Tão grande é o grau de confiabilidade que ela representa a empresa quando eles [os diretores] não podem. Ela vai a reuniões, anota, opina e trabalha como se fosse uma diretora; seria uma coadjuvante.” (EQUIPE III).

Essa secretária vai se aposentar daqui a cinco anos e a empresa já contratou uma secretária júnior para aprender seu serviço e estar apta a assumir o cargo de secretária executiva quando de sua aposentadoria.  Eles exigem cinco anos de experiência e sua preocupação é compreensível pelo fato de ser uma empresa grande, que trabalha com o mercado japonês. Querem uma pessoa extremamente confiável e assim têm cinco anos para analisar seu trabalho e avaliar sua competência.

Na EMPRESA C, a secretária executiva é responsável pelo departamento de assistência à diretoria. Assessora dois diretores, um americano e o outro brasileiro. Coordena o trabalho de quatro profissionais, sendo duas secretárias e dois assistentes de serviços gerais. Ela aboliu o departamento de comunicações da empresa e assumiu a responsabilidade de suas atividades, dividindo seu departamento em secretariado, correspondência e serviços gerais. Assim, as secretárias trabalham diretamente com ela nas atividades relacionadas à diretoria e os dois assistentes atuam no setor de correspondência e serviços gerais, porque ambos estão interligados. É responsável pela administração de uma conta de US$ 70,000.00, quantia destinada para a manutenção do seu departamento. É ela quem faz o orçamento e tem de prestar contas, pois como em toda a empresa, os números são muito importantes. Esta secretária executiva “é falante fluente de inglês e espanhol; é formada em Secretariado Executivo Bilíngüe. Anualmente, faz cursos de aperfeiçoamento fora e dentro da empresa. Veste elegantemente tailleur, sapato com salto baixo, maquiagem leve.” (EQUIPE III).

Se considerarmos o perfil e a atuação das secretárias executivas dessas empresas e verificarmos a classificação feita por Reich (1994, p. 168), que dividiu as funções em três amplas categorias de trabalho, podemos classificá-las no terceiro grupo de secretários, os que executam tarefas simbólico-analíticas, e como tal necessitam de formação universitária e aperfeiçoamento constante. São os profissionais preparados para atuar na identificação e resolução de problemas, e na tomada de decisões. O secretário júnior, por sua vez, faz parte da categoria dos secretários que executam serviços pessoais.

Como estamos a caminho de uma nova espécie de organização e, por conseguinte, de um novo profissional, permitimo-nos, por analogia, dizer que ao longo deste caminho está surgindo, também, um novo profissional do secretariado. Está nascendo o “secretário executivo analista-simbólico” e se extinguindo, parcialmente, aquele que faz única e exclusivamente tarefas rotineiras e/ou executa serviços pessoais. Por que parcialmente? Porque sempre haverá organizações recrutando pessoas para trabalhos rotineiros e pessoais, e do mesmo modo sempre haverá “secretários” para executá-los em decorrência de uma formação profissional carente ou servindo para adquirir experiência até chegar a ser “secretário executivo analista-simbólico”, enquanto estiver estudando numa universidade, por exemplo.



A opinião de um executivo

Para o Diretor-Presidente de uma empresa localizada na região do Vale do Itajaí, convidado pela Equipe III para participar do Seminário de Estágio Supervisionado, 

uma secretária, acima de tudo, é o braço direito e o braço esquerdo e, muitas vezes, a cabeça do presidente. [...] Ela tem que lembrar, cobrar, brigar e absorver a empresa. Ela tem que vestir a empresa e defendê-la sempre. É um outro diretor;  um diretor substituto. (DIRETOR).


Ao falar sobre o que espera de um profissional do secretariado, o DIRETOR referiu-se à competência, ao grau de instrução, à fluência em idiomas, aos conhecimentos e cultura geral, à desenvoltura e agilidade na execução de tarefas (iniciativa e dinamismo), à autonomia.

Considera a competência fundamental e “é agregada a uma outra coisa que se chama atualização. Para você ser cada vez mais competente, tem que estar sempre atualizado, ir atrás das informações e saber onde estão as oportunidades [...].” Por isso, acredita que quanto mais estudo, mais abrangente fica o nível de absorção de informações e, consequentemente, mais segurança terá na identificação e resolução de problemas e na tomada de decisões, se for o caso.

Quanto aos idiomas, é de opinião que “os dois idiomas mais importantes para nossa região são o inglês e o espanhol. Eu não teria certeza qual colocaria em primeiro, mas pelo nível de empresa regional, o espanhol. O inglês é quase que uma necessidade.”(DIRETOR). Assim como é necessária a cultura geral.

Na minha empresa, quando contrato uma pessoa, vou basicamente num ponto: iniciativa e dinamismo. Essa pessoa tem condições de crescer mesmo sem treinamento [...] A que não tem esses dois pontos não adianta. Pode-se dar dez anos de treinamento, que ela não desenvolve. Não consegue atuar de forma  significativa na função em que foi solicitada. [...] Nós temos que ser dinâmicos. A secretária tem que pensar, muitas vezes, na frente do chefe. Se o chefe não gosta que ela tome decisões, deve entregar os fatos para ele. Se você sabe que ele vai pedir um número de telefone, já vai com o número de telefone. Mostre a capacidade e a força que tem uma secretária. (DIRETOR).


É fundamental que o secretário executivo tenha desenvoltura e agilidade na execução de tarefas, assim como iniciativa e dinamismo, pois muitas vezes vai decidir na ausência do chefe. “Normalmente, está trabalhando com um diretor ou gerente administrativo, ou normalmente com um cargo do alto escalão. Uma pessoa que trabalha nesse nível empresarial, necessita que as pessoas que a  rodeiam, tragam-lhe informações com absoluta precisão.” (DIRETOR).  A certeza de que a informação que vem da pessoa que está trabalhando ao lado é correta e confiável, “é a garantia e a confiabilidade que vai existir no profissional” (DIRETOR), por parte da chefia.

Para este executivo, pode-se delegar praticamente qualquer coisa a um secretário executivo, desde que tenha capacidade. No entanto, ressaltou que em nossa região ainda “existem algumas barreiras. Os nossos profissionais ou diretores de empresas são muito patriarcas, fechados e, dificilmente, vão admitir uma pessoa formada com o título de secretário, tomando decisões. [...] É muito importante vencer essa barreira no mercado. É mostrar a capacidade que vocês têm.” (DIRETOR). É ter criatividade para apresentar ideias que facilitem a solução de problemas e otimizem os processos e métodos de trabalho, eliminando atividades desnecessárias, para o melhor gerenciamento do tempo de trabalho.

Texto extraído de:
WAMSER, Eliane. O impacto das mudanças organizacionais na profissão de secretário e a contribuição do estágio supervisionado em sua formação. 208f. 2000. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Regional de Blumenau, Santa Catarina, 2000.

Referências bibliográficas

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

DOS ESCRIBAS A INTERNET: UM POUCO DA HISTÓRIA DA PROFISSÃO DE SECRETÁRIO (PARTE VI)



Aperfeiçoamento e desenvolvimento profissional

Torna-se cada vez mais necessária a participação constante em cursos de aperfeiçoamento e desenvolvimento profissional. Os secretários executivos tradicionais, que perceberam que deveriam evoluir, assim como a tecnologia, ganharam novas funções. Outros perderam espaço.

Segundo a SECRETÁRIA B, nesta virada de século em que estamos vivendo mudanças frenéticas e radicais, “qualquer profissional precisa estar muito atualizado. O que era última geração ontem, hoje já não é mais. Então, há necessidade, muita necessidade de aperfeiçoamento. [...] senão nós seremos engolidos logo, logo.”

A SECRETÁRIA A concordou plenamente com essa afirmação. Em qualquer atividade, uma pessoa precisa estar atualizada, informada, participar de cursos, palestras, leituras. Participar ativamente dos cursos “in company” que muitas organizações oferecem para o aperfeiçoamento profissional e pessoal de seus empregados, bem como para mantê-los motivados.

A SECRETÁRIA C afirmou que fez muitos cursos em São Paulo e Porto Alegre, que lhe deram a noção de como desempenhar seu papel de secretária executiva. Hoje ainda faz cursos, porém não com tanta frequência como no passado. A empresa oferece mais palestras que acontecem na cidade e como sempre há certo número de inscrições pagas, quem tiver interesse pode participar. “Hoje, todo mundo dá mais incentivo para se participar no campo motivacional, porque as empresas estão tão dinâmicas, que estamos fazendo curso todo dia na empresa.”  Disse que não está saindo com muita frequência de sua empresa para fazer cursos, pois acredita estar aprendendo no dia-a-dia.

A tecnologia do escritório e o secretário executivo passaram a ter certa cumplicidade desde 1870, com a invenção da máquina de escrever. Precisa estar ciente das inovações tecnológicas e saber como funcionam, pois é ele quem gerencia o fluxo de informações entre as mais diversas pessoas, nos mais diversos lugares. A cada nova tecnologia no escritório, seu método de trabalho é afetado. Ao contrário de sua função, que é privilegiada. Como quase todas as inovações convergem ao secretário executivo, ele é privilegiado por ter acesso a todas, tendo a oportunidade de conhecê-las e introduzi-las no seu cotidiano, modificando processos de trabalho e até redefinindo sua posição na organização.

Infelizmente, muitos secretários executivos tiveram suas funções afetadas em virtude das novidades tecnológicas no escritório, porque não estavam preparados profissionalmente e não buscaram atualizar-se por conta própria, deixando a cargo da organização. Muitas organizações não o fizeram. Preferiram demitir. Excluíram do quadro funcional os que não evoluíram com a tecnologia, por falta de competência tecnológica, que, segundo Chiavenato (1996, p. 146), “é a capacidade de assimilação do conhecimento de diferentes técnicas necessárias ao desempenho da generalidade e da multifuncionalidade.”

Também é verdade que há escritórios que continuam operando com equipamentos de muitos anos atrás: papel, máquina de escrever, arquivos, calculadoras, telefone, lápis, canetas, copiadoras e outros. Mas não deve ser um impeditivo para o profissional secretário executivo atualizar-se em relação às novidades tecnológicas que começam a modificar o ambiente de trabalho.

Os escritórios estão sendo transformados em ambientes bonitos e aconchegantes, com móveis práticos, funcionais e visual agradável. São as estações de trabalho, ou os escritórios inteligentes, totalmente informatizados e todos ligados em rede.  Com a racionalização do espaço, o secretário executivo perdeu a exclusividade de uma sala. Muitos gerentes ainda mantêm suas salas, mas outros passaram a ter apenas sua estação de trabalho. Com esse novo conceito de escritório, seu trabalho vem se tornando mais integrado e dinâmico com os demais departamentos da organização.

Há necessidade de educação continuada para possibilitar atualização e adaptação às inovações tecnológicas, uma vez que, conforme Knechtel (1995, p. 112), “a divulgação das novas tecnologias, em geral, é acompanhada de problemas como insegurança, temor, carência de orientação, crises de identidade [...]”.

O secretário executivo diante da reestruturação organizacional e administrativa

Desde o seu surgimento nos escritórios dos Estados Unidos, por volta de 1870, a função de secretário sempre foi diretamente afetada pelas mudanças que se processaram nos modelos de administração. Está sendo um participante ativo no redimensionamento de seu papel junto às organizações que se reestruturam em decorrência dos novos protagonistas. Afinal de contas, é um elemento facilitador da ação administrativa, proporcionado pelo contato que tem com os mais diferentes públicos, quer sejam internos ou externos.

Faria (1986, p. 15) concorda com este entendimento quando diz que o secretário executivo “é uma peça vital do processo administrativo.” Para ele, é a peça da engrenagem administrativa que imprime velocidade aos fluxos administrativos e operacionais, que quando não está em perfeito funcionamento é um verdadeiro gargalo de estrangulamento ou obstáculo que produz morosidade e dificuldades na consecução dos objetivos da organização.

A minha empresa [...] passou por transformações muito sérias nos últimos anos. [...] tivemos uma nova fase. E a nossa adaptação teve que ser muito rápida, porque quem não se adaptou logicamente não está mais conosco. A partir de 1993, as mudanças continuaram; um processo dinâmico, muito intenso. [...] E quem não é fortemente adaptável, fica fora. Tínhamos, em 1985, 6.200 funcionários. Hoje, temos 1.700 funcionários. Como, então, foi afetada fortemente, tínhamos, num certo momento, 18 secretárias. A partir de 93, fizemos um pool. Trabalhávamos em duas para toda a diretoria, que eram 5 pessoas, muito ativas, com atividades até extra empresa. E, hoje, a partir deste ano de 98,  estou sozinha na diretoria. Então, além do trabalho normal de secretária, tenho outras atividades. Eu tive que realmente me adaptar para poder continuar. (SECRETÁRIA C).

A organização em que a SECRETÁRIA B atuou também passou por um processo de reestruturação e ela teve que se adaptar às novas regras de multifunção, que lhe exigiam flexibilidade e novos conhecimentos na área administrativa e de assessoria, para poder acompanhar o ritmo acelerado das mudanças.

Nossa empresa também reestruturou, enxugou, apertou. Havia, na empresa, três secretárias que atendiam aos diretores. Havia, também, uma secretaria administrativa, com oito funcionários. Quem trabalhava nessa secretaria administrativa? A menina do telex, do fax, os office-boys, os garotos que faziam toda a circulação de correspondências em diferentes setores. Tinha um coordenador da área. E esse grupo precisou ser extinto. Todas as suas funções passaram para o pool de secretárias. Então, além de atender aos diretores, nós assumimos as outras responsabilidades. Todo escritório,  material e equipamento, passou a ser controlado por nós. Éramos em três. Então, de oito, o serviço foi dividido em 3. E a capacidade de adaptação [...] foi muito importante, porque tivemos que nos desdobrar e adaptar.

A secretária deixou de ser aquela função operacional, para ser uma função estratégica. A secretária passou a ter poder de decisão. Por quê? Porque começamos a fechar contratos para a empresa por terceirizar serviços. [...] vamos contratar fora? Então, o que vamos fazer? Vamos buscar uma empresa que faça esse serviço. Tentamos fechar esse contrato e apresentar para a diretoria o custo-benefício, os cálculos de redução de custos. Então, realmente, a função foi beneficiada com todo esse enxugamento, porque a secretária passou a ter outras atividades. E aí vem mais um benefício. Precisamos estar preparadas para essa nova atividade. Precisamos assumir riscos, porque antigamente, ninguém, nenhuma secretária assumia riscos. Fazia o que era mandado fazer e pronto. Temos que ter capacidade para liderar, pois temos subordinados. Temos que responder por aquela equipe com quem fechamos o contrato e fazê-la funcionar. Temos que contratar agentes de viagens e fazer todo um trabalho com a agência de viagens. [...] a função enriqueceu, a função cresceu.   (SECRETÁRIA B).

O secretário executivo não lida somente com materiais, equipamentos, objetos palpáveis, mas, sobretudo, com pessoas. A eficácia de um executivo depende da eficácia de quem o assessora. A evolução do papel e a importância do profissional do secretariado nas organizações estão relacionadas diretamente à sua eficiência e eficácia na execução de suas tarefas, pois seu progresso profissional é medido pela busca contínua de novas técnicas e sistemas para realizar seu trabalho. Em todas as suas atividades diárias, o secretário executivo faz uso de procedimentos para aumentar sua eficiência e eficácia. Estão, ao fazer e receber ligações telefônicas, ao redigir, datilografar, receber, classificar e distribuir as correspondências,  ao organizar a agenda, ao preparar reuniões e roteiros de viagens, ao atender clientes internos  e externos, ao prestar e administrar as informações.

Medeiros e Hernandes (1995, p. 57) aconselham o secretário executivo a se interrogar sempre sobre o próprio procedimento quanto à realização de tarefas, para que obtenha desempenho máximo. É necessário que tenha planejamento da sua rotina de trabalho, desde a primeira tarefa do dia até a hora do término do expediente, bem como interesse e conhecimento das atividades profissionais do executivo com quem trabalha, além de visão global da organização.

Numa corporação virtual, o profissional do secretariado é incentivado a questionar a relevância de determinada tarefa e atividade, ou seja, por que fazer?, para que fazer?além do costumeiro como fazer? Isso requer competência pessoal. Em outras palavras, “a capacidade de aprendizagem e absorção de novos e diferentes conhecimentos e habilidades” (Chiavenato, 1996, p. 146).

Mudanças significativas na função secretarial

No entendimento da SECRETÁRIA C, a mudança

mais significativa de todas foi o fato de nós, hoje, termos que estar onipresentes na empresa. Temos que saber de tudo, de tudo. O diretor chega e pergunta e temos que saber o porquê e o que está acontecendo. Por isso é muito importante se estar antenada, informada. Antigamente, ficávamos numa sala isolada e não tínhamos mesmo como saber o andamento dos outros setores. Hoje, eu trabalho no meio de todo o pessoal administrativo. [...] não tem mais sala fechada nem para eles, nem para mim. Então, ali eu fico antenada, fico ligada [...] É preciso realmente ajudar a administrar a empresa, porque atualmente eles pedem a nossa opinião. A nossa opinião tem um peso enorme. 

O secretário executivo, a partir de sua estação de trabalho, poderá se comunicar com qualquer parte do mundo, bem como ter acesso a uma série de informações que precisarão ser selecionadas e transmitidas de acordo com os objetivos e missão da organização a qual integra. Poderá elaborar documentos com gráficos e figuras, pois terá à sua disposição equipamentos de editoração eletrônica e uma impressora para gerar textos e imagens quase fotográficos.

Na opinião da SECRETÁRIA B, as mudanças que aconteceram foram muito significativas e

a informática modificou totalmente o nosso mundo. O tempo hoje é real. Antigamente, o representante da empresa ia ao cliente, formulava o pedido, colocava-o no malote,  e três dias depois o malote chegava aqui na matriz da empresa. Encaminhava-se  para  a engenharia, se fazia o orçamento, colocava-o no malote de volta com o pedido ou confirmação ou orçamento para o cliente. [...] A informática veio e mudou o sistema de informações. As informações sempre existiram, mas era difícil consegui-las. Era difícil chegar até elas. E hoje, não. Acessamos nosso computador e temos o que quisermos a nossa frente. Não existe mais o famoso papel que tanto tínhamos que guardar e controlar. O papel acabou. Hoje, ligamos um botãozinho e o mundo se descortina a nossa frente.

Na mesma direção, a SECRETÁRIA A reforçou esse depoimento ao exemplificar o procedimento que adotava no envio de malotes para os representantes localizados em todas as capitais do país.

[...] nós organizávamos e fazíamos os malotes. E muitas vezes o representante tinha que saber se o item tal foi cancelado, se a camiseta tal teve aumento de preço, se o cliente tal é inadimplente, enfim. Tudo isso era feito. As famosas comunicações internas. [...] Então, veja o tempo que nós perdíamos datilografando a comunicação interna. Aí corríamos para pedir o visto, a rubrica do diretor. Era envelopado, porque não podia ir aberto, e envelopado era colocado no malote. Imaginem, o tempo que perdíamos para fazer tudo isso. E, hoje, como é que é? Coloca-se a mensagem na internet, e pronto, acabou. Coisa maravilhosa. Fantástica! (SECRETÁRIA A).


De acordo com a SECRETÁRIA B, em 1971, quando estava trabalhando em Brusque,“fazer uma ligação para Blumenau demorava, às vezes, quatro horas [...]” . Toda ligação era feita via telefonista, que dava a previsão da demora. Dependendo da urgência e importância do assunto a ser tratado com o contato em Blumenau,

alguém pegava um jipe, porque as estradas eram de barro, e vinha para Blumenau resolver o assunto e levava de volta as informações. E a ligação ainda não tinha sido completada. Isso aconteceu em 71. Hoje, em questão de segundos, nos comunicamos com o mundo. [...] o fax já começou a revolucionar o trabalho da secretária. A informática, então, nem se fala.” (SECRETÁRIA B).

É importante ressaltar que, no início, houve, por parte de muitos profissionais secretários, um certo medo e até uma forte aversão ao uso do computador. Apesar de treinamento adequado oferecido pela organização, muitos operavam com certa desconfiança, preferindo, em inúmeras situações, a antiga e sempre companheira máquina de escrever.

A SECRETÁRIA C entende que a era da informática, era da qualidade total, era da globalização, seja qual for o nome, trouxe um reforço fantástico para todas as funções. Mais especificamente falando da função de secretário, o que mais a impressiona, hoje em dia, é a possibilidade de ter voz ativa junto ao seu diretor. Não se vai mais para uma reunião, por exemplo, para ficar anotando o que é discutido. Há momentos em que se tem que explicar os resultados da empresa numa reunião. “Hoje, eu tenho funções que vocês talvez não imaginam, junto com o desempenho como secretária. Eu analiso balanços, sei fazer análise de balanços, o que antes olhava, jogava para o lado e não queria nem ver.” (SECRETÁRIA C). Ela faz o benchmarking, ou seja, compara sua empresa às empresas concorrentes, além de toda a parte societária da empresa, redação de atas legais como aumento de capital e emissão de debêntures.

Secretário: profissão em extinção?

Em decorrência das mudanças empresariais, neste final de século muito se tem falado na extinção da profissão de secretário. Vai terminar, ou já estaria se modificando?

Na opinião da SECRETÁRIA B,

é uma profissão que está evoluindo a cada dia que passa. [...] a secretária, a assistente, a assessora, é fundamental na vida de qualquer diretor de empresa, de qualquer dirigente, de qualquer homem de negócios. [...] é a pessoa que está na retaguarda. É quem faz a coisa acontecer. Então, eu não acredito na extinção da profissão. [...] Onde houver um homem de negócios, [...] vai ter alguém que precisa assessorá-lo, que precisa dar continuidade.

Na mesma direção, Natalense (1998, p. 41) reafirma que a era da informática não acabou com o secretário executivo mas, sim, “criou condições para que o seu real papel fosse descoberto, revitalizado e valorizado.” Lembra  que não é a profissão de secretário que se extingue, mas a sua prática inadequada.

Embora esteja sendo eliminado da estrutura funcional de muitas organizações tradicionais e ser alvo de comentários de consultores, o profissional secretário executivo tem lugar para atuar na corporação virtual. Não para fazer tarefas repetitivas e monótonas, mas como elemento importante na administração das informações e participar ativamente das forças-tarefas. Para Natalense (1998, p. 46), é o secretário executivo quem gerencia as informações da área que assessora, funcionando como um banco de dados que recebe, reúne, filtra e divulga as informações que servirão para a tomada de decisões. É um empreendedor que cria condições para ampliar sua área de atuação.

Para a SECRETÁRIA A, é uma profissão em evolução e não em extinção. É uma profissão que já se modificou muito, pois na sua época, no início de sua carreira, secretária não era paga para pensar.

Então, o que se exigia? A tal da boa aparência.[...]. Tinha que ser jovem, bonita, boa aparência. Era isso que importava. Inclusive nos anos 80, no início dos anos 90, quando eu era professora de Técnicas de Secretariado, uma aluna minha, um dia veio chorando porque havia se preparado para uma entrevista - e olha que era uma aluna brilhante. Havia-se preparado para o teste. Fez o teste e passou pela entrevista. Quando chegou na pessoa da área de recursos humanos, ele olhou para ela e falou: “Sinto muito, você não serve. Você é gordinha.”  Graças a Deus que isso terminou ou está terminando. Hoje o que conta é a competência.

Para a SECRETÁRIA B, hoje, o secretário executivo ”é aquela pessoa a quem o chefe pede cinco, esperando sete, e ela entrega nove.” Em outras palavras, espera-se que tenha comportamento proativo, que pense no problema antes que ele aconteça e que se antecipe às suas necessidades na resolução de determinado assunto. Para Junqueira (1996, p. 121), é preciso que esteja sempre um passo à frente neste jogo de tomadas de decisões. Isto significa esclarecer dúvidas e expectativas, ter conhecimento da rotina e modos de trabalho da chefia e visão global da organização para saber quem é quem, quais as metas e os planos, quem são os principais clientes e fornecedores.

É sempre bom lembrar que, no momento atual, tanto os clientes internos quanto os externos esperam que seus fornecedores os surpreendam com o fornecimento de pequenos extras, que custam muito pouco mas rendem dividendos fantásticos. Como membro da equipe, espera-se do secretário executivo idéias para superar a expectativa dos clientes internos e externos da organização na qual atua. Consideramos cliente interno seu superior imediato e todos os membros da organização para os quais presta algum tipo de serviço.

Com este retrospecto, podemos dizer que a profissão de secretário saiu fortalecida, apesar de toda uma série de transformações, sobretudo na última década, caracterizada por uma verdadeira reengenharia nos organogramas e nas descrições de funções das organizações. E uma das razões deste fortalecimento, certamente, é a somatória de um conjunto de fatores, como

a adaptação à modernidade, a profissionalização e regulamentação da profissão. [...] a importância da profissão de secretário está na razão direta da amplitude do seu domínio das informações. Considerando que, no futuro próximo, o poder estará nas mãos de quem detiver a informação, podemos concluir e entender toda essa transformação da atividade secretarial, já reconhecida em alguns segmentos como assessora organizacional. (EQUIPE I).

Graças à transformação gradativa de uma antiga figura decorativa das ante-salas dos executivos em um profissional atuante, com perfil voltado para a gestão de informações, novas competências e habilidades são requeridas deste profissional pelas organizações, especialmente por aquelas que já passaram por processos de reestruturação administrativa e tecnológica.

Texto extraído de:

WAMSER, Eliane. O impacto das mudanças organizacionais na profissão de secretário e a contribuição do estágio supervisionado em sua formação. 208f. 2000. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Regional de Blumenau, Santa Catarina, 2000.

Referências bibliográficas

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